A regulamentação da administração de condomínios em 2026

Guia do Condie. Atualizado em novembro de 2026. Verificado em novembro de 2026.

Resposta rápida · Guia do Condie

À data da última atualização (novembro de 2026), a regulação da administração de condomínios é uma proposta do Governo, sem texto final aprovado nem data de entrada em vigor. A proposta prevê licenciamento, seguro de responsabilidade civil, formação e contrato escrito para quem administra profissionalmente; as associações do sector pedem ainda contas à Autoridade Tributária em trinta dias e sanções. Não está decidido como se aplica a quem administra o próprio prédio. Até lá aplica-se o Código Civil e o Decreto-Lei n.º 268/94.

Verificado em novembro de 2026. Gerir o seu próprio condomínio com o Condie

Em 2026 a administração de condomínios em Portugal continua a ser uma atividade sem regras próprias: qualquer pessoa pode administrar, sem formação, sem seguro, sem licença. O Governo anunciou a primeira regulamentação específica. Esta página resume o que foi anunciado, separa-o do que não está decidido, e diz o que isso significa para um condómino que administra o seu próprio prédio. Nada aqui é o texto da lei, que ainda não existe. À data da última atualização, em novembro de 2026, o diploma estava em circuito legislativo e ia ser tema do congresso anual da associação das empresas do sector, marcado para 13 e 14 de novembro de 2026, em Lisboa.

O que foi anunciado

Segundo a comunicação do Governo, através da Secretaria de Estado da Habitação, em julho de 2026, e as notícias que se seguiram em agosto, a proposta prevê para a atividade de administração de condomínios:

  • Licenciamento obrigatório da atividade (licença ou alvará), com critérios de idoneidade.
  • Seguro de responsabilidade civil obrigatório para quem administra profissionalmente.
  • Formação adequada para o exercício da atividade.
  • Contrato escrito de prestação de serviços entre a empresa e o condomínio.
  • Situação fiscal e contributiva regularizada das empresas.
  • Mais transparência na informação financeira prestada aos condóminos.
  • Fiscalização possivelmente a cargo do IMPIC, o instituto que já regula a mediação imobiliária e a construção; a criação de uma estrutura própria está em discussão.

O que as associações pedem

Duas associações de empresas tomaram posição pública. A APEGAC, em julho de 2026, defendeu licença com critérios de idoneidade, contrato escrito para além do que o artigo 1436.º do Código Civil já exige, seguro de responsabilidade civil profissional, formação certificada, um plano de manutenção do edifício, o envio das contas do condomínio à Autoridade Tributária em trinta dias e regras sancionatórias, sem as quais, nas suas palavras, a regulação pouca força terá. Encomendou duas propostas de regulação a professoras de Direito e entregou-as ao Governo. A sua preocupação declarada é a exclusividade: que a lei não exija atividade em exclusivo, porque a maioria das empresas são microempresas com outras atividades. A ANPAC pediu uma entidade fiscalizadora própria, ou um departamento específico no IMPIC, e a extensão de algumas obrigações aos condomínios autoadministrados.

O que não está decidido

  • O texto final da lei, os prazos de transição e a data de entrada em vigor.
  • Os valores: capital mínimo do seguro, custo do licenciamento, horas de formação.
  • Quem fiscaliza: o IMPIC, um departamento dentro dele ou uma entidade nova.
  • Se as contas passam a ser enviadas à Autoridade Tributária, e em que prazo.
  • Se as regras se aplicam aos administradores internos, isto é, aos condóminos que administram o seu prédio sem ser por profissão. A associação das empresas do sector defende que também eles devem ter seguro de responsabilidade civil; a proposta conhecida não o fixa.

O que muda para quem administra o próprio prédio

Enquanto a nova lei não for publicada, nada. A lei em vigor continua a ser o Código Civil (artigos 1414.º a 1438.º-A), o Decreto-Lei n.º 268/94 e a Lei 8/2022. O administrador interno tem os mesmos deveres de sempre: convocar a assembleia de janeiro, prestar contas, cobrar as quotas, executar as deliberações, manter o fundo de reserva e o seguro de incêndio, emitir a declaração de dívida quando uma fração é vendida.

Se a lei vier a abranger a administração interna, as duas hipóteses mais prováveis são um seguro de responsabilidade civil, pago pelo condomínio como despesa comum, e um dever reforçado de transparência das contas. Ambas são fáceis de antecipar: um condomínio que já publica as contas aos condóminos e já tem os seguros em dia terá pouco a mudar.

O que muda para a empresa que o administra

Bastante, se a proposta passar como anunciada. Um condomínio que tem empresa pode, desde já, perguntar-lhe por escrito: tem contrato escrito connosco e onde está; tem seguro de responsabilidade civil e qual o capital; tem a situação fiscal regularizada; que formação têm as pessoas que tratam do nosso prédio. As respostas mostram se a empresa está preparada para o licenciamento, e o condomínio tem interesse em sabê-lo cedo.

O que fazer agora

  1. Contrato escrito com qualquer prestador que administre ou preste serviços regulares ao condomínio.
  2. Contas acessíveis a todos os condóminos, sem pedido: extratos, conta corrente, prestação de contas anual.
  3. Seguro de incêndio das partes comuns e das frações em dia (artigo 1429.º).
  4. Ata de todas as deliberações, comunicada aos ausentes com prova de receção.
  5. Confirmar, quando a lei for publicada, o texto final no Diário da República.

A lei atual já impõe ao administrador, profissional ou não, um conjunto de deveres. Estão explicados em os deveres do administrador.

Fontes

Verificado em novembro de 2026. Informação geral, não substitui aconselhamento jurídico.

Perguntas frequentes

A nova lei já está em vigor?

Não. À data da última atualização desta página (novembro de 2026) existe uma proposta do Governo, anunciada pela Secretaria de Estado da Habitação em julho de 2026, sem texto final aprovado nem data de entrada em vigor. As regras concretas, os prazos de transição e a entidade fiscalizadora não estavam fixados.

Vou ter de pagar um seguro para administrar o meu próprio prédio?

Não está decidido. O seguro de responsabilidade civil obrigatório está proposto para a atividade profissional. Uma das associações do sector pediu que algumas obrigações, incluindo o seguro, se apliquem também aos condomínios autoadministrados, e o tema ficou em análise. Se vier, o custo é uma despesa comum, aprovada em orçamento como o seguro de incêndio.

O que devo fazer já?

O que a proposta quer tornar obrigatório já é boa prática: contrato escrito com qualquer prestador, contas transparentes e acessíveis a todos os condóminos, seguro de incêndio em dia, ata de todas as deliberações. Um condomínio que já faz isto terá pouco a mudar quando a lei sair.

A empresa que nos administra vai ter de mudar alguma coisa?

Sim, se a proposta passar como anunciada: licença ou alvará, seguro de responsabilidade civil, formação, contrato escrito com o condomínio e comprovativo de situação fiscal e contributiva regularizada. Pergunte-lhes já quais destes requisitos cumprem hoje.