Passar de empresa de condomínio para gestão interna: a lista de verificação

Guia do Condie. Atualizado em novembro de 2026. Verificado em novembro de 2026.

Resposta rápida · Guia do Condie

O administrador é eleito e exonerado pela assembleia e pode ser um condómino ou um terceiro (art. 1435.º, n.ºs 1 e 4, do Código Civil). O administrador cessante mantém-se em funções até à eleição do sucessor (n.º 5), e o dever de prestar contas e guardar os documentos do condomínio implica entregá-los a quem o substitui (art. 1436.º, n.º 1, als. l) e n)). Condóminos que representem 25% do capital investido podem convocar a assembleia que decide a mudança (art. 1431.º, n.º 2).

Verificado em novembro de 2026. Mapa de contas do condomínio em Excel

Um prédio pequeno que paga a uma empresa e não sente o serviço acaba, mais cedo ou mais tarde, a perguntar "e se fôssemos nós?". A lei permite-o: o administrador pode ser um dos condóminos ou um terceiro (artigo 1435.º, n.º 4, do Código Civil). A mudança faz-se em cinco passos concretos, que cabem em duas assembleias.

1. Ler o contrato e a última ata

O contrato com a empresa tem, em regra, um prazo e um pré-aviso. A ata que a contratou fixou as condições. Confirme os dois antes de qualquer carta: sair fora de prazo pode custar meses de honorários. Se a empresa foi eleita administradora em assembleia, a exoneração é deliberação da assembleia (artigo 1435.º, n.º 1); se é uma prestadora contratada pelo administrador, é denúncia de contrato.

2. A assembleia que decide

Convoque uma assembleia extraordinária, ou inclua na ordinária de janeiro, com estes pontos:

ORDEM DE TRABALHOS
1. Cessação do contrato de administração com [empresa], com efeitos
   a [data], e destituição como administradora;
2. Eleição do administrador para o mandato de [data] a [data], e
   fixação da sua remuneração ou isenção de quotas;
3. Conta bancária do condomínio: confirmação da titularidade pelo
   condomínio, designação de quem a movimenta e regra de
   movimentação, revogação dos poderes anteriores;
4. Entrega de documentação, saldos e chaves pela administração
   cessante, e prazo para a prestação de contas final;
5. Forma de envio das convocatórias (correio eletrónico para quem o
   declarar) e forma de cobrança das quotas.

3. O que exigir à empresa, por escrito

  • Prestação de contas até à data da cessação, com extratos bancários de todos os anos de mandato.
  • Livro de atas e todas as atas; título constitutivo; regulamento se existir.
  • Lista de condóminos com contactos, permilagens e saldos à data, com os comprovativos das dívidas.
  • Contratos em vigor (limpeza, elevador, seguro, eletricidade), com datas de renovação e pré-avisos.
  • Apólices de seguro do edifício e das frações que a empresa geria, e o certificado do seguro obrigatório.
  • Credenciais de homebanking, cartões, chaves de partes comuns, códigos de acesso.
  • Declaração de que não há processos judiciais pendentes, ou a lista deles.

Fixe um prazo na ata (15 dias é razoável) e envie o pedido por carta registada. O dever de prestar contas (artigo 1436.º, n.º 1, al. l)) e de guardar os documentos do condomínio (al. n)) implica a sua entrega ao sucessor; a recusa é fundamento para ação judicial e, em casos de retenção de dinheiro, queixa-crime.

4. O banco

Se a conta está em nome do condomínio, leve ao banco a ata com os novos signatários e a revogação dos anteriores. Se o dinheiro estava numa conta da empresa, abra conta em nome do condomínio e exija a transferência do saldo com o extrato final. Os elementos que os bancos pedem, as minutas de deliberação e de adenda e os erros que fazem recusar a ata estão no guia conta bancária do condomínio: a ata que o banco aceita.

5. A primeira quota da nova administração

Com a lista de frações e permilagens, o orçamento aprovado e a conta aberta, emita as quotas do mês seguinte à cessação, com recibo por cada pagamento, e o fundo de reserva como linha própria. Envie a cada condómino a sua conta corrente com o saldo de partida herdado da empresa, para que ninguém discuta mais tarde de onde veio a dívida. É o momento em que a gestão interna ganha ou perde a confiança do prédio.

O que a lei não deixa saltar

  • Assembleia ordinária na primeira quinzena de janeiro, todos os anos, com contas e orçamento (artigo 1431.º, n.º 1; o primeiro trimestre só se o regulamento ou deliberação o permitir, n.º 4).
  • Fundo comum de reserva com pelo menos 10% da quota-parte de cada condómino nas restantes despesas, depositado em instituição bancária (artigo 4.º do DL 268/94).
  • Seguro de incêndio das partes comuns e das frações (artigo 1429.º).
  • Declaração de dívida em 10 dias a contar do pedido quando uma fração é vendida (artigo 1424.º-A, aditado pela Lei 8/2022).
  • Convocatórias com 10 dias de antecedência e prova de receção (artigo 1432.º, n.º 1); atas lavradas e assinadas (artigo 1.º do DL 268/94) e deliberações comunicadas aos ausentes em 30 dias (artigo 1432.º, n.º 9).

Fontes

Verificado em novembro de 2026. Informação geral, não substitui aconselhamento jurídico.

Perguntas frequentes

E a conta bancária, muda?

Se a conta está em nome do condomínio, mantém-se: muda apenas quem a movimenta, por deliberação da assembleia levada ao banco com a ata. O que a deliberação tem de conter e a minuta para o banco estão no guia da conta bancária do condomínio.

A empresa não quis renovar e não há administrador. Quem manda?

O administrador cessante mantém-se em funções até que seja eleito ou nomeado o sucessor (art. 1435.º, n.º 5). Condóminos que representem 25% do capital investido podem convocar a assembleia com a eleição na ordem de trabalhos (art. 1431.º, n.º 2). Não havendo administrador, as funções cabem provisoriamente ao condómino com a maior permilagem, salvo se outro se oferecer (art. 1435.º-A), e qualquer condómino pode assegurar o regulamento, o seguro e o fundo de reserva como administrador provisório (art. 10.º-A do DL 268/94).

Que documentos temos direito a receber?

Tudo o que é do condomínio: atas, contas e extratos bancários de todos os anos, contratos com fornecedores, apólices de seguro, título constitutivo, regulamento, lista de condóminos com contactos e saldos, credenciais de homebanking, cartões e chaves. O dever de prestar contas (art. 1436.º, n.º 1, al. l)) e de guardar os documentos do condomínio (al. n)) implica a sua entrega ao sucessor no termo do mandato.