Reunião por videoconferência e ata por email: o que é válido

Guia do Condie. Atualizado em novembro de 2026. Verificado em novembro de 2026.

Resposta rápida · Guia do Condie

A assembleia realiza-se por meios de comunicação à distância, preferencialmente por videoconferência, sempre que a administração o determine ou a maioria dos condóminos o requeira (art. 1.º-A do Decreto-Lei n.º 268/94, aditado pela Lei n.º 8/2022). A ata continua a ser assinada por quem presidiu e subscrita pelos presentes, e vale como subscrição a concordância enviada por email, junta ao original (art. 1.º, n.ºs 1 e 7). A eficácia das deliberações depende da aprovação da ata (n.º 3).

Verificado em novembro de 2026. Calculadora de quotas por permilagem

Muitos condomínios reúnem por videoconferência e recebem a ata por email dias depois, sem assinaturas. Parte disto é legal e útil; parte é um vício que aparece na primeira cobrança contestada. A distinção é simples: a participação à distância é válida; a ata continua a precisar de ser assinada e comunicada como sempre.

Participar à distância

  • A Lei 8/2022 aditou ao Decreto-Lei n.º 268/94 o artigo 1.º-A: a assembleia realiza-se por meios de comunicação à distância, preferencialmente por videoconferência, sempre que a administração o determine ou a maioria dos condóminos o requeira. Quem participa à distância está presente na reunião e vota com a permilagem da sua fração.
  • A convocatória tem de indicar o local da reunião (artigo 1432.º, n.º 4, do Código Civil). Numa reunião à distância, indique o meio e a ligação, ou como obtê-la.
  • A identidade de quem participa e o sentido do seu voto devem ser verificáveis pela mesa: câmara ligada na chamada nominal, voto declarado em voz ou por escrito na conversa da reunião, registo na ata.
  • Quem, fundamentadamente, não tem condições para participar à distância e o comunicou à administração tem direito a que esta lhe assegure os meios; sem isso, a assembleia não pode decorrer assim (artigo 1.º-A, n.º 2). A procuração continua disponível (artigo 1431.º, n.º 3, do Código Civil).

A ata não muda

A ata é lavrada e assinada por quem presidiu e subscrita pelos condóminos presentes (artigo 1.º, n.º 1, do DL 268/94). Quem participou à distância subscreve-a por assinatura eletrónica qualificada (n.º 6) ou por declaração de concordância enviada por email, que se junta à ata (n.º 7); a eficácia das deliberações depende da aprovação da ata, não das assinaturas (n.º 3). Numa assembleia à distância, convém que a ata registe ainda:

  • que a assembleia se realizou por videoconferência (ou de forma mista), e por que meio;
  • quem participou à distância, com a permilagem, e como a mesa verificou a identidade;
  • o sentido de voto de cada participante à distância em cada ponto.

A ata por email

O que chega por email é uma cópia da ata. Para os ausentes, a comunicação das deliberações é o que faz começar os prazos de 10 e 30 dias da impugnação (artigo 1433.º), e faz-se por carta registada com aviso de receção ou por email a quem o declarou em ata, com recibo de receção (artigo 1432.º, n.º 9). A cópia deve ser da ata assinada: um PDF sem a assinatura de quem presidiu nem as subscrições dos presentes é um rascunho. Para cobrar as quotas que a ata aprova, é a ata que serve de título executivo (artigo 6.º do DL 268/94), por isso guarde o original.

Três erros a evitar

  1. Reunião por videoconferência sem que a convocatória indicasse o meio. Uma convocatória que não diz onde se reúne expõe as deliberações a impugnação.
  2. Ata "aprovada por email" sem original. A ata indica que foi lida e aprovada (n.º 2). A concordância com o seu conteúdo enviada por email vale como subscrição e junta-se ao original (n.º 7); o que não substitui a ata é um PDF sem a assinatura de quem presidiu.
  3. Nenhum registo de quem votou o quê à distância. Sem isso, qualquer contagem por permilagem é indefensável.

Para o administrador

Ponha a ligação na convocatória, faça a chamada nominal com a permilagem, registe os votos à distância na ata, assine-a no próprio dia e envie a cópia assinada a todos, com prova de receção para os ausentes.

Fontes

Verificado em novembro de 2026. Informação geral, não substitui aconselhamento jurídico.

Perguntas frequentes

A assembleia pode ser só por videoconferência?

Pode. O artigo 1.º-A do DL 268/94, aditado pela Lei 8/2022, prevê que a assembleia se realize por meios de comunicação à distância, preferencialmente por videoconferência, sempre que a administração o determine ou a maioria dos condóminos o requeira (n.º 1). Se um condómino não tiver, fundamentadamente, condições para participar à distância e o tiver comunicado à administração, esta tem de lhe assegurar os meios, sob pena de a assembleia não poder decorrer assim (n.º 2).

Quem assina a ata de uma assembleia por videoconferência?

Quem presidiu assina-a e os presentes subscrevem-na (art. 1.º, n.º 1, DL 268/94). Quem participou à distância pode subscrever por assinatura eletrónica qualificada, por assinatura manuscrita sobre documento digitalizado (n.º 6) ou por declaração de concordância enviada por email, que se junta à ata (n.º 7). É boa prática a ata registar quem participou à distância e como a mesa verificou a identidade e o voto.

A ata enviada por email sem assinaturas é válida?

A ata é assinada por quem presidiu e subscrita pelos presentes (art. 1.º, n.º 1, DL 268/94), e a eficácia das deliberações depende da aprovação da ata, não das assinaturas dos condóminos (n.º 3). O que se envia por email é uma cópia dessa ata. Se a cópia que recebe não tem a assinatura de quem presidiu, peça a cópia da ata assinada.

Posso recusar participar à distância e exigir reunião presencial?

A administração pode determinar a reunião à distância, ou a maioria dos condóminos requerê-la (art. 1.º-A, n.º 1, DL 268/94). O que cada condómino pode exigir é uma forma de participar: se não tem, fundamentadamente, condições para a videoconferência, comunique-o à administração antes da assembleia; a administração tem de lhe assegurar os meios (n.º 2). Pode também fazer-se representar por procurador (art. 1431.º, n.º 3, do Código Civil).