Regulamento do condomínio: o que pode conter, como se aprova e uma minuta base

Guia do Condie. Atualizado em novembro de 2026. Verificado em novembro de 2026.

Resposta rápida · Guia do Condie

O regulamento do condomínio é obrigatório quando há mais de quatro condóminos e não faz parte do título constitutivo (art. 1429.º-A do Código Civil). Elabora-o a assembleia, por maioria dos votos representativos do capital investido (art. 1432.º, n.º 5), ou o administrador, se a assembleia o não fizer. Disciplina o uso, a fruição e a conservação das partes comuns, mas não pode proibir o que a lei ou o título constitutivo permitem, e o administrador faculta cópia aos terceiros com direitos sobre as frações (art. 9.º do Decreto-Lei n.º 268/94).

Verificado em novembro de 2026. Usar a minuta base (abaixo)

"Tenho uma proposta de regulamento para apresentar na próxima assembleia, por onde começo?" A resposta curta: pelo que o regulamento pode regular, que é menos do que a maioria pensa, e por uma minuta que caiba em duas páginas. Um regulamento longo não se cumpre; um regulamento que tenta proibir o que a lei permite não vale.

Quando é obrigatório

O artigo 1429.º-A do Código Civil torna o regulamento obrigatório sempre que haja mais de quatro condóminos. Se o título constitutivo já o contém, aplica-se esse; se não, elabora-o a assembleia ou, se esta o não fizer, o administrador (n.º 2). O regulamento deve ainda prever quem exerce a administração na falta ou impedimento do administrador (artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 268/94). Com quatro condóminos ou menos é facultativo, mas útil pela mesma razão.

O que pode regular

  • O uso das partes comuns: horários, limpeza, elevadores, terraço, garagem, jardim.
  • A fruição das frações no que toca à convivência: ruído, obras (horário e aviso prévio), lixo, estendais, animais em partes comuns.
  • A conservação: quem trata do quê, como se comunicam avarias, quem tem chaves.
  • A administração: forma de convocar, prazos de pagamento das quotas, sanções pecuniárias (dentro do limite do artigo 1434.º), fundo de reserva acima do mínimo, quem substitui o administrador na sua falta.

O que não pode

  • Alterar o fim das frações (habitação, comércio) ou proibir usos que o título constitutivo permite; isso é alteração do título, com as maiorias próprias.
  • Proibir animais de companhia dentro das frações por simples maioria; só o título ou uma deliberação aprovada sem oposição o podem (artigo 1422.º, n.º 2, al. d)). Pode regular o seu trânsito nas partes comuns.
  • Fixar penas pecuniárias acima do teto legal: a assembleia pode fixá-las, mas as penas aplicáveis em cada ano nunca excedem a quarta parte do rendimento coletável anual da fração do infrator (artigo 1434.º, n.º 2).
  • Alterar a repartição das despesas fixada no título (permilagem); só o título ou, para os serviços de interesse comum, uma cláusula do regulamento aprovada sem oposição o fazem (artigo 1424.º, n.º 2).

Como se aprova

  1. Ponto expresso na convocatória: "Aprovação do regulamento do condomínio", com a proposta enviada com a convocatória.
  2. Maioria dos votos representativos do capital investido (artigo 1432.º, n.º 5), se o regulamento não constar do título.
  3. O texto aprovado fica transcrito ou anexo à ata, e a deliberação é comunicada aos ausentes no prazo de 30 dias (artigo 1432.º, n.º 9).
  4. Entrega a cada condómino e a cada arrendatário; publicação no portal ou afixação na entrada.

Minuta base (capítulos)

Use como esqueleto e corte o que não se aplica ao prédio.

  1. Objeto e âmbito. Identificação do prédio; obriga condóminos, arrendatários e utilizadores.
  2. Partes comuns. Uso normal, proibição de ocupação com objetos, limpeza, portas fechadas, elevador (cargas, crianças), terraço e jardim (horários).
  3. Sossego. Silêncio entre as 22h e as 8h; obras ruidosas em dias úteis das 9h às 18h com aviso de 48 horas ao administrador.
  4. Obras nas frações. Comunicação prévia; obras que afetem partes comuns ou a fachada dependem da assembleia, por dois terços do valor total (artigo 1422.º, n.º 3); limpeza diária das partes comuns durante a obra.
  5. Animais. Trela e açaime nas partes comuns quando exigido; limpeza imediata; sem permanência nas partes comuns.
  6. Lixo e reciclagem. Local, horário, contentores; monos por conta do condómino.
  7. Estacionamento. Lugares atribuídos; proibição de ocupar zonas de circulação; carregadores elétricos conforme o artigo 23.º do DL 93/2025 e a deliberação da assembleia.
  8. Quotas. Vencimento no dia 8 de cada mês; penalidade por atraso conforme a lei e a deliberação; imputação de pagamentos (artigo 784.º).
  9. Administrador. Mandato, forma de contacto, prestação de contas, acesso aos documentos por todos os condóminos.
  10. Vigência e alterações. Entra em vigor na data da aprovação; alterações pela mesma maioria.

O regulamento aprova-se pela maioria do capital investido; as alterações ao título constitutivo têm regras próprias. Estão explicadas em as maiorias na assembleia.

Fontes

Verificado em novembro de 2026. Informação geral, não substitui aconselhamento jurídico.

Perguntas frequentes

O regulamento do condomínio é obrigatório?

É obrigatório quando o prédio tem mais de quatro condóminos e o regulamento não faz parte do título constitutivo (artigo 1429.º-A, n.º 1, do Código Civil). Com quatro condóminos ou menos é facultativo, mas continua a ser a forma mais simples de fixar regras de uso das partes comuns que a lei não detalha.

Quem aprova o regulamento e com que maioria?

A feitura do regulamento compete à assembleia de condóminos ou, se esta o não tiver elaborado, ao administrador (artigo 1429.º-A, n.º 2). Na assembleia, aplica-se a regra geral: maioria dos votos representativos do capital investido (artigo 1432.º, n.º 5), salvo para as cláusulas a que a lei exige maioria própria. Se o regulamento fizer parte do título constitutivo, alterá-lo pode exigir o acordo de todos os condóminos que o artigo 1419.º, n.º 1, impõe para modificar o título.

O regulamento pode proibir animais ou alojamento local?

Pode regular o uso das partes comuns e a convivência, mas não pode proibir o que a lei ou o título constitutivo permitem. Só o título constitutivo ou uma deliberação da assembleia aprovada sem oposição (art. 1422.º, n.º 2, al. d)) podem proibir uma atividade dentro da fração, como ter animais; um regulamento aprovado por maioria não o pode. O alojamento local tem regra própria: pode ser proibido no título constitutivo, em regulamento que dele faça parte ou por deliberação posterior que crie ou altere o regulamento, aprovada por dois terços da permilagem do prédio, com efeitos só para os pedidos de registo submetidos depois dela (artigo 6.º-B, n.ºs 4 e 5, do Decreto-Lei n.º 128/2014, aditado pelo Decreto-Lei n.º 76/2024). O regulamento pode ainda fixar regras de utilização (elevadores, ruído, trelas, lixo).

Um regulamento aprovado obriga quem comprou depois?

Sim. As deliberações consignadas em ata vinculam os condóminos e os terceiros titulares de direitos relativos às frações (artigo 1.º, n.º 4, do Decreto-Lei n.º 268/94), e o administrador deve facultar cópia do regulamento a esses terceiros, como os arrendatários (artigo 9.º). Convém entregá-lo a cada novo condómino e ao inquilino de cada fração arrendada.